Geral 27 de julho de 2026

Augusta Ermelinda afirma-se no Brasil, mas quer regressar para ajudar a transformar a educação em Angola

Reencontrar o marido foi o primeiro motivo que levou Augusta Ermelinda Abel Mendes ao Brasil. O segundo surgiu com uma bolsa de mestrado que lhe abriu as portas da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Augusta Ermelinda afirma-se no Brasil, mas quer regressar para ajudar a transformar a educação em Angola
Hoje, investiga a educação sexual no contexto escolar angolano e continua a alimentar o objectivo de regressar a Angola para contribuir na transformação do sistema educativo. Natural da província do Moxico, Augusta Ermelinda Abel Mendes, de 28 anos, concluiu o ensino médio em Ciências Físicas e Biológicas, na Escola João Beirão, e licenciou-se em Pedagogia, na especialidade de Gestão e Inspecção Escolar, pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), no Kilamba. Actualmente, frequenta o mestrado em Educação na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), ao abrigo de uma bolsa do Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB), programa que promove a mobilidade académica de estudantes internacionais. Duas razões para atravessar o Atlântico A decisão de sair de Angola teve duas motivações bem definidas. “A primeira foi encontrar o meu esposo, porque ele já estava aqui há um ano, a frequentar o mestrado em Comunicação Social na Universidade Federal de Goiás”, conta. A segunda surgiu através da oportunidade de prosseguir os estudos. Foi o próprio marido quem lhe enviou o edital da bolsa da GCUB, depois de também ele ter beneficiado do mesmo programa. Augusta candidatou-se, apresentou um projecto de investigação e acabou por ser seleccionada para a UEMS. Adaptação ao Brasil aconteceu de forma gradual “As experiências têm sido muito boas. Fui muito bem recebida e muito bem acolhida”, afirma, destacando o ambiente académico e a disponibilidade de professores e colegas. Longe da família, encontrou na comunidade angolana residente no Brasil um importante ponto de apoio. “Hoje temos uma comunidade angolana que, de tanta convivência e companheirismo, acabou por se tornar família”, ressalta. Actualmente, é a única estudante angolana no seu programa de mestrado, convivendo diariamente com colegas brasileiros, moçambicanos e de outras nacionalidades. Da experiência nas escolas à investigação científica Antes de chegar ao Brasil, Augusta construiu uma sólida experiência profissional em Angola como professora, coordenadora de turma e responsável por actividades extracurriculares. Foi precisamente esse contacto directo com a realidade das escolas que despertou muitas das questões que hoje procura responder através da investigação. Durante o estágio docente realizado na UEMS, voltou à sala de aula, desta vez, acompanhando estudantes do terceiro ano da licenciatura em Pedagogia, uma experiência que reforçou a convicção de que ensinar e investigar são actividades complementares. A investigação que desenvolve no mestrado centra-se na sexualidade na adolescência no contexto escolar angolano. O interesse pelo tema nasceu durante a licenciatura, quando desenvolveu, juntamente com a colega Joaquina Nalengue Quambi Kambumba, um estudo sobre práticas sexuais e utilização de métodos contraceptivos entre adolescentes. “O que me motivou foi dar continuidade ao trabalho que apresentei na licenciatura. Em conversa com a minha orientadora, percebemos que havia necessidade de aprofundar este tema”, explica. No mestrado, decidiu orientar a investigação para a disciplina de Educação Moral e Cívica, procurando compreender de que forma os conteúdos relacionados com a sexualidade podem contribuir para prevenir a gravidez precoce e as infecções sexualmente transmissíveis. “Mesmo trabalhando temas sobre sexualidade e gravidez precoce dentro da sala de aula, continuamos a registar índices muito elevados de gravidez na adolescência. Isso levou-me a querer compreender melhor esta realidade”.
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